
Especialista alerta para líderes que aparentam inspirar, mas concentram poder e enfraquecem equipes ao longo do tempo
No ambiente corporativo, nem todo líder admirado representa, de fato, um ativo para a empresa. Há perfis que combinam carisma, boa comunicação e aparente empatia, mas que, nos bastidores, centralizam decisões, distribuem dependência e fragilizam a cultura organizacional. Esse é o chamado líder predatório performático.
De acordo com Adeildo Nascimento, especialista em cultura organizacional e CEO da DHEO Consultoria e da DHEO Educação, o problema não está no discurso, mas na prática cotidiana. “Líderes de verdade distribuem capacidade. Já os líderes tóxicos, mesmo bem disfarçados, concentram resultados e créditos. Se a empresa cresce, mas só uma pessoa se fortalece, tem algo errado”, afirma.
A reflexão leva para estudos do psicólogo organizacional Adam Grant, que classifica os líderes em três perfis: givers (doadores), matchers (equilibradores) e takers (tomadores). Enquanto os primeiros compartilham conhecimento de forma genuína, os últimos operam em benefício próprio. Entre eles, surge um quarto tipo, considerado o mais nocivo, que é o taker performático, que simula colaboração para manter poder.
“Esse líder não precisa ser agressivo para causar danos. Ele é articulado, inspirador, mas usa as relações como instrumento de controle. Ao longo do tempo, deixa um rastro de desgaste nas equipes”, explica Nascimento.
O especialista alerta ainda para armadilhas comuns nas empresas, como a romantização do líder excessivamente generoso, que pode evitar conflitos necessários ao crescimento do time, e a dificuldade em identificar gestores que aparentam colaboração, mas agem com interesses ocultos.
Para evitar esses cenários, ele sugere uma análise prática da cultura organizacional. “Os líderes estão formando sucessores ou dependentes? Os créditos são distribuídos ou concentrados? O risco é compartilhado ou fica apenas com a base?”, questiona.
Na avaliação de Nascimento, cultura não se sustenta em valores declarados, mas em comportamentos repetidos. “O melhor líder é o giver estratégico: aquele que desenvolve pessoas, mas também desafia, cria conflito construtivo e fortalece o coletivo”, conclui.
Vídeo completo no link: https://youtu.be/kVDUdGmjJEA?si=L1PjC7_jq7PjaGvG