
Especialistas destacam que práticas sustentáveis dependem de cultura ética, liderança e decisões humanas para sair do discurso e ganhar efetividade nas empresas
A integração entre ESG e gestão de pessoas foi o assunto principal da live PSH-PR 2026 – Prêmio Ser Humano, realizada nesta terça-feira (14/04), com transmissão ao vivo pelo LinkedIn. O bate-papo reuniu Andréa Gauté, diretora de curadoria da ABRH Brasil, e Naína Lopes de Souza, gerente de Qualidade e Sustentabilidade da Risotolândia.
Jaqueline Becker, diretora do PSH-PR, ao abrir o encontro, afirmou que o Prêmio Ser Humano tem como propósito reconhecer empresas e indivíduos por seus projetos e ações que geram impacto positivo nas organizações. “São iniciativas que alinham gestão de pessoas a valores, responsabilidade e práticas concretas. Aplicados de forma estratégica, reforçam o papel da liderança e da cultura organizacional na consolidação de ambientes mais sustentáveis”, pontuou.
Raízes que transformam
Naína Lopes de Souza destacou o protagonismo do projeto “Raízes Risotolândia”, vencedor do PSH 2025 na categoria ESG e Gestão de Pessoas, como marco na estratégia de sustentabilidade da Risotolândia. Primeiro grande projeto da área, estruturada há três anos, a iniciativa voltada à agricultura familiar consolidou-se como eixo central do investimento social da empresa. “O prêmio confirmou que estávamos no caminho certo e que é fundamental considerar os territórios ao desenvolver projetos”, afirmou. Mais do que reconhecimento, segundo ela, a conquista impulsionou a continuidade e a expansão das ações, reforçando o compromisso com impacto social consistente.
O “Raízes” gerou efeitos diretos dentro e fora da organização. Internamente, estimulou um engajamento crescente entre colaboradores, refletido no aumento expressivo do voluntariado. Externamente, fortaleceu a reputação da empresa e ampliou o interesse de clientes e parceiros. “Receber um prêmio não é o objetivo primário, mas ele mostra que o mercado reconhece a importância do nosso trabalho”, pontuou. A iniciativa também elevou a renda de famílias agricultoras, incentivou práticas sustentáveis no campo e promoveu a inclusão social, com destaque para o fortalecimento do papel da mulher e o combate ao trabalho infantil.
Ao refletir sobre a premiação e sua trajetória, Naína ressaltou o impacto simbólico do reconhecimento. “Foi uma grande e agradável surpresa. Não esperávamos vencer naquele momento”, disse, lembrando que o projeto ainda estava em fase inicial. Como recomendação, defendeu que iniciativas de ESG estejam alinhadas à estratégia do negócio. “A chave é desenvolver projetos conectados ao propósito da empresa e capazes de gerar impacto real”, afirmou. Para ela, mesmo ações de pequena escala podem deixar um legado: “Se conseguirmos transformar a vida de uma única pessoa, já teremos feito a diferença”.
ESG é essencial
Em sua participação, Andréa Gauté definiu o Prêmio Ser Humano (PSH) como uma das principais plataformas de reconhecimento e estímulo às boas práticas em gestão de pessoas no país. Após um processo de reestruturação, a premiação passou a contar com critérios mais rigorosos e avaliações padronizadas. “A sustentabilidade deve ser tratada não como uma tendência passageira, mas como um elemento fundamental e permanente”, afirmou, ao ressaltar a qualidade dos projetos apresentados e a relevância do prêmio para impulsionar organizações.
Para Andréa, integrar ESG à gestão de pessoas é condição para a perenidade dos negócios. Isso exige ir além de ações isoladas e incorporar a sustentabilidade à estratégia corporativa, com indicadores claros e mensuração consistente. “É imprescindível integrar a sustentabilidade à estratégia, evitando ações pontuais”, destacou. Ela também chamou a atenção para o papel do RH como articulador desse processo, conectando propósito, cultura organizacional e resultados, além de promover ambientes saudáveis, liderança consciente e desenvolvimento humano.
Ela enfatizou que o ESG precisa estar no DNA das organizações, orientando decisões e comportamentos. “A integração de ESG com a gestão de pessoas não é uma tendência, mas um caminho irreversível”, disse. Nesse cenário, empresas que colocam o ser humano no centro, com governança sólida e compromisso social, tendem a fortalecer a reputação e atrair talentos. “Mais do que aderir a uma agenda, é preciso assumir um compromisso contínuo com impacto, ética e futuro sustentável”.