
CEO da Michael Page Brasil participou do evento “Poder, presença e performance – o novo jogo da liderança”, promovido pela Michael Page com apoio da ABRH-PR e da Ademicon, no auditório da Ademicon
A necessidade de desenvolver autoconhecimento, revisar modelos mentais e construir lideranças mais humanas e adaptáveis esteve no centro da palestra “Lugar de Potência”, ministrada por Ricardo Basaglia, CEO da Michael Page Brasil, no dia 21/05, em Curitiba. O encontro integrou o evento “Poder, presença e performance – o novo jogo da liderança”, promovido pela Michael Page, com apoio da ABRH-PR e da Ademicon.
Ao longo de mais de uma hora e meia de apresentação, Basaglia conduziu reflexões sobre os desafios da liderança contemporânea e afirmou que o mercado exige menos controle e mais capacidade de adaptação, escuta e gestão emocional. “As perguntas continuam praticamente as mesmas: como contratar os melhores talentos, desenvolver equipes e melhorar a performance. O que mudou foram as respostas”, pontuou.
Segundo o executivo, um dos maiores erros das organizações é insistir em modelos antigos de gestão em um cenário de transformações aceleradas. “Quando foi a última vez que revisamos os modelos mentais que regem nossa atuação como líderes?”, questionou.
Lugar de potência
Basaglia destacou que a liderança começa pela autogestão e pela capacidade de lidar consigo mesmo. Para ele, competências técnicas seguem importantes, mas já não sustentam carreiras sozinhas. “A gestão de pessoas precisa começar pela autogestão. Liderar os outros exige, antes de tudo, aprender a lidar consigo mesmo”, disse. Também defendeu o autoconhecimento como base para decisões profissionais mais conscientes. “Sem autoconhecimento, não existe livro, curso ou imersão capaz de promover evolução verdadeira”.
Durante a palestra, Basaglia aprofundou o conceito de “lugar de potência”, expressão que dá nome ao seu livro e podcast. Segundo ele, o diferencial competitivo está menos na especialização absoluta e mais na combinação de competências e singularidades. Para ilustrar, citou Scott Adams, criador da tirinha “Dilbert”. “Ele dizia que não era um grande artista, nem um grande humorista, nem um grande executivo. Mas a combinação dessas habilidades criou algo único. Esse é o verdadeiro lugar de potência: a coragem de ser singular”.
Pacto da mediocridade
Na avaliação do CEO da Michael Page, um dos maiores desafios das empresas hoje é combater o que chamou de “pacto de mediocridade”, quando áreas evitam questionamentos para preservar zonas de conforto. “O pacto de mediocridade acontece quando ninguém questiona ninguém para evitar desconfortos. Todo mundo fica confortável, menos a empresa, que deixa de evoluir”.
Basaglia também destacou que o papel do líder é reduzir barreiras internas e facilitar conexões entre as equipes. “O líder precisa tornar as relações mais leves e fluidas. Quando existe confiança, as coisas acontecem com rapidez. Quando não existe, a burocracia vira uma barreira”.
Outro ponto enfatizado foi a importância das conversas difíceis e da comunicação transparente. Segundo ele, muitos conflitos corporativos surgem justamente do adiamento desses diálogos. “As conversas evitadas não desaparecem. Elas viram ressentimento, fofoca e problemas maiores. Liderança é ter coragem de conversar de forma brutalmente honesta, mas sempre com esperança”.
Fórmula simples
Ao abordar performance, Basaglia apresentou uma fórmula simples: “performance é igual a talento menos interferência”. Para ele, muitas empresas concentram esforços apenas em cobrança por resultados, sem eliminar obstáculos que comprometem produtividade e saúde emocional. “O papel do líder é remover interferências. Mesmo profissionais talentosos podem performar mal em ambientes tóxicos, confusos ou desgastantes”.
O executivo também criticou a cultura da hiperocupação e o excesso de tarefas sem propósito claro. Segundo ele, agendas lotadas passaram a ser confundidas com produtividade. “Hoje, o pseudo ocupado virou o novo lento nas organizações. Trabalhar muito não significa necessariamente produzir resultados”.
Entre os conceitos apresentados, Basaglia chamou atenção para o impacto das chamadas “abas abertas” mentais, pendências, conversas adiadas e decisões inacabadas que consomem energia emocional e reduzem a produtividade. “As abas abertas estão consumindo nossa energia. São projetos não concluídos, conversas difíceis adiadas e decisões pendentes que continuam ocupando espaço mental”, observou.
O palestrante também fez um alerta sobre saúde mental e criticou o que definiu como “doping corporativo”, marcado pelo excesso de estimulantes, medicamentos e rotinas exaustivas. “A crise de saúde mental não será resolvida com paredes bonitas ou puffs coloridos. Saúde exige conversa honesta, descanso, alimentação adequada e equilíbrio”.
Cultura organizacional
Ao refletir sobre cultura organizacional, Basaglia afirmou que empresas revelam seus valores principalmente em quatro momentos: contratação, feedback, promoção e desligamento. “A cultura é definida pelos comportamentos inadequados que a empresa tolera”, disse.
O CEO também defendeu uma liderança mais humanizada, baseada em escuta, conexão e serviço. “O papel do líder é fazer as pessoas sentirem orgulho de quem elas são. Se você lidera uma equipe, aquelas pessoas não pertencem a você. É você quem está a serviço delas”.
Outro tema abordado foi a necessidade de separar identidade profissional e identidade pessoal. Segundo ele, quanto maior a dependência emocional do trabalho para validação individual, maior a dificuldade de lidar com críticas e frustrações. “Quando a identidade profissional se mistura totalmente com a identidade pessoal, qualquer feedback passa a ser interpretado como um ataque”, explicou.
Sucesso e significado
Basaglia também questionou a obsessão contemporânea por grandes propósitos e defendeu uma visão mais prática sobre realização profissional. “Existe uma pressão enorme para que todo mundo queira mudar o mundo. Mas o propósito pode começar fazendo bem feito o trabalho do dia a dia, desenvolvendo pessoas e construindo ambientes saudáveis”.
No encerramento, o executivo destacou que uma das competências mais importantes para o futuro da liderança será a capacidade de rever convicções diante de novos contextos. “O discernimento é uma habilidade essencial. Mas existe outra competência que estamos perdendo, a capacidade de mudar de opinião”, concluiu.
Boas-vindas
A abertura do encontro foi conduzida por Elaine Foches Stokloski, da Ademicon, que destacou a satisfação da empresa em sediar o evento e receber lideranças de diferentes organizações. “É um prazer recebê-los neste evento. Ficamos muito felizes com a participação expressiva do público e em compartilhar nossas atividades com convidados de diversas empresas e lideranças da Ademicon. Somos uma empresa curitibana, líder no mercado de consórcios e investimentos, e contamos hoje com cerca de 450 colaboradores na área administrativa, além dos nossos licenciados em todo o país”.
O presidente da ABRH-PR, Gilmar Silva de Andrade, enfatizou a importância de discutir os novos modelos de liderança e as relações humanas nas organizações. “O novo jogo da liderança já não se define apenas por autoridade, cargo ou conhecimento técnico, mas pela construção de confiança e pela qualidade da relação entre líderes e equipes. Hoje, falar de alta performance envolve também sustentabilidade emocional, inteligência relacional, adaptação e resiliência diante das pressões do dia a dia”. Destacou o propósito da entidade em fortalecer conexões e promover ambientes corporativos mais saudáveis. “Nosso objetivo é desenvolver pessoas para que elas se tornem agentes de transformação dentro das organizações. Acreditamos que empresas melhores são construídas por pessoas mais conectadas, saudáveis e felizes”.
A vice-presidente da ABRH-PR e diretora do CONPARH, Vera Mattos, aproveitou a ocasião para apresentar detalhes da próxima edição do congresso promovido pela entidade. “O XIX CONPARH acontece nos dias 28 e 29 de outubro, em Curitiba, com uma programação rica em conteúdo, debates e experiências imersivas. Teremos palestras, feira de negócios, espaços interativos e a presença de autores para sessões de autógrafos. Queremos proporcionar uma experiência memorável aos participantes”.
Na sequência, Juliana Ribeiro, representante da Michael Page em Curitiba, ressaltou a relevância do estudo global “Talent Trends 2026”, que analisa transformações no mercado de trabalho, inteligência artificial e liderança. “A pesquisa traz um recorte importante do Brasil e reúne percepções de profissionais sobre inteligência artificial, modelos de trabalho e liderança. São insights bastante relevantes para entendermos as mudanças que estão acontecendo no mercado”.