Profissionais de todo o mundo debatem a reprodução assistida e avanços da área em congresso em Curitiba na próxima semana (31.07 a 03.08)

26 de julho de 2019


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Nesta semana, a primeira criança gerada por meio de técnicas de reprodução assistida, a britânica Louise Joy Brown, completa 41 anos. Desde então, estima-se que mais de 8 milhões de bebês já nasceram a partir de alguma técnica de reprodução assistida no mundo.

No Brasil, a primeira criança gerada por fertilização in vitro, Ana Paula Bettencourt Caldeira, nasceu em 7 de outubro de 1984, na cidade de São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba.

Dados inéditos da Anvisa mostram que o número de fertilizações por meio de inseminação artificial vem crescendo no Brasil. Em 2018, foram realizados 43.098 ciclos de fertilização in vitro (tratamento que estimula a produção de óvulos e a retirada das células reprodutoras para a realização de fertilização), contra 36.307 em 2017. A comparação entre os dois anos resultou em um crescimento de 18,7% na quantidade de procedimentos.

O estado que mais realizou ciclos in vitro foi São Paulo, com 20.170 ciclos, o que representa 46,8% do total do país. Em segundo lugar ficou Minas Gerais, com 4.221 ciclos, seguido pelo Rio de Janeiro, com 3.959 ciclos. Houve ainda um aumento no número de congelamento de embriões. Segundo a Anvisa, em 2018 foram congelados 88.776 embriões, contra 78.216 congelamentos em 2017, um aumento de 13,5%. A região Sudeste lidera o número de congelamentos, representando 65% dos que são feitos no país, seguido pela região Sul, com 14%.

É para debater os avanços na área e discutir alternativas viáveis para pessoas que querem ter filhos que a Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) promoverá em Curitiba, no ExpoUnimed, na próxima semana (de quarta-feira a sábado), o XXIII Congresso Brasileiro de Reprodução Assistida (CBRA).

O evento multidisciplinar reunirá cerca de 800 profissionais – entre médicos, embriologistas, enfermeiros, psicólogos, especialistas em reprodução humana, ginecologistas, urologistas, mastologistas, oncologistas, além de gestores de clínicas – e abordará temas como o congelamento de óvulos, embriões, tecido ovariano, gravidez tardia (depois dos 40 anos), indução de ovulação e oncofertilidade (quando as mulheres colhem óvulos e ovário para o congelamento prévio antes de tratamentos de câncer), entre outros. “Atualmente, o Brasil possui cerca de 190 centros de reprodução assistida dotados de alta tecnologia, ofertando serviços e resultados comparáveis aos melhores centros do mundo”, aponta o presidente do CBRA, Alvaro Ceschin. 

Reprodução assistida no Brasil 

A idade é um fator determinante para a fertilidade da mulher e do homem, pois ao longo da vida os óvulos envelhecem e a produção de espermatozoides perde qualidade. Devido a mudanças sociais e comportamentais, a decisão sobre ter um filho tem sido tomada cada vez mais tarde no Brasil e no mundo. Por conta da maior participação da mulher no mercado de trabalho, por exemplo, o conflito entre vida profissional e o desejo da maternidade tem sido cada vez mais frequente. É possível ver traços dessa tendência em um estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com recorte de 2005 a 2015. No relatório, observou-se que o número de mães com idade entre 30 e 39 anos cresceu mais de 8% no período, de 22,5% em 2005 para 30,8% em 2015.

A reprodução assistida consiste em um conjunto de procedimentos médicos que visam auxiliar nos complexos processos de gravidez, incluindo os casos de infertilidade, esterilidade ou doenças hereditárias. A técnica também pode viabilizar novas formas de parentalidade, como casais homossexuais que desejam ter filhos. Entre os métodos mais conhecidos de reprodução assistida, destacam-se a inseminação artificial, a fertilização in vitro e a doação/ recepção de óvulos/espermatozóides, técnicas indicadas de acordo com a avaliação personalizada de cada caso.

Dados divulgados recentemente pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) evidenciam a procura cada vez maior pelos métodos de reprodução assistida. No último mês de dezembro, um estudo da agência revelou que a importação de sêmen para o tratamento de reprodução assistida cresceu 97% em 2017 com relação a 2016, um recorde no país. Segundo a Anvisa, o número de ciclos de fertilização in vitro também cresceu de forma consistente no país nos últimos anos: 168,4% entre 2011 a 2017.

A solenidade de abertura acontecerá na quinta-feira (01.08), das 18h às 19h30, com a palestra magna proferida pelo Procurador da República, Deltan Dallagnol, entre 19h e 19h30, intitula “Um novo Brasil. E agora?”. Mais informações sobre o evento em http://sbracongressos.com.br

 

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