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O último magnata da mídia

28 de julho de 2011


Por The Economist em 25/07/2011 na edição 652

Sobre artigo da Economist, 21/7/11. Tradução de Larriza Thurler.

 

Parecia impossível que um só homem pudesse ter exercido tanto controle sobre setores tão poderosos como política e mídia por tanto tempo. Rupert Murdoch, dono da News Corporation, não parecia tão poderoso assim quando depôs diante de um comitê parlamentar britânico no dia 19/7: o magnata atrapalhou-se para explicar os grampos telefônicos em seu tabloide recém-fechado e as alegações de que sua empresa teria pago US$ 160 mil em propina a policiais. Ainda assim, as ações de seu império midiático subiram.

A fraqueza de um chefe não torna, normalmente, a empresa mais forte, afirma o semanário britânico Economist em matéria de capa da edição que chegou às bancas em 21/7. Mas a News Corporation não é uma empresa normal; é uma empresa pública administrada de modo familiar. Murdoch, 80 anos, que ocupa os cargos de presidente e executivo-chefe, parece propenso a administrar o grupo até entregar as rédeas para um (ou mais) de seus filhos. Os interesses da família e os do grupo, entretanto, parecem cada vez mais divergentes.

Políticos e o público veem Murdoch de modo diferente dos investidores. Para os primeiros, ele é um empreendedor astuto de um império de mídia global, capaz de construir e destruir carreiras políticas. Já para os investidores, o empresário é, cada vez mais, um impedimento para uma administração suave e sem sustos da News Corp. Quanto mais perto ele chega da aposentadoria, mais forte a empresa fica. A indústria jornalística mudou de tal maneira que Murdoch parece um homem fora de seu tempo; ele é “o último magnata da mídia”, resume a Economist – este é, inclusive, a título na capa do semanário: “O último dos magnatas”, sobre uma foto em preto e branco de Murdoch.

O fim dos monopólios

A indústria jornalística costumava ter muitas famílias poderosas. Mas uma combinação de regulamentação com tecnologia quebrou os monopólios de mídia. Em 1948, as cortes americanas colocaram fim aos antigos estúdios integrados verticalmente. A internet está enfraquecendo o domínio da mídia de massa e entregando o poder para start-ups, blogueiros e empresas como Google e Yahoo!, para quem as notícias são um negócio periférico, não uma paixão primordial. A maior parte das famílias vendeu ou saiu da administração diária dos negócios.

Murdoch herdou um negócio de jornais e o transformou em um império multimídia. Chegando no Reino Unido nos anos 60, o australiano (que tem também cidadania americana) inventou o tabloide moderno – misto de agressão política, afronta moral e estímulo sexual. Nos EUA, seu canal de direita Fox News enfurece liberais enquanto acumula lucros.

Os escândalos dos grampos telefônicos no tabloide News of the World forçaram a News Corporation a abandonar o investimento para comprar por inteiro a BskyB, operadora de TV via satélite que Murdoch ajudou a construir e da qual possui 33%. O caso também mostra os riscos de administrar o grupo como uma preocupação familiar. James Murdoch, filho do magnata, é definido no artigo da Economist como um homem competente que administrava bem a BskyB. Com um sobrenome diferente, ele até poderia ter tentado uma carreira em alguma outra empresa de mídia. Mas os jornais o enfraqueceram. Convocado para aprender a administrar o negócio tradicional da família, James nunca se sentiu confortável com o meio impresso.

Uma mudança necessária

O confuso trio fomado por Murdoch-pai, Murdoch-filho e a jornalista Rebekah Brooks, que renunciou como executiva-chefe do braço britânico da News Corp no dia 15/7, ajuda a entender a falha do grupo em investigar rapidamente as acusações de escuta telefônica e propina. Colocar o filho responsável pelos jornais foi uma iniciativa de um proprietário à moda antiga, e não de um executivo-chefe, diz a Economist. A estratégia de Murdoch foi baseada em duas hipóteses ultrapassadas: de que o descendente deveria estar na linha de sucessão para o cargo superior e de que o futuro da News Corp depende dos jornais.

Nem o conselho nem os investidores podem se livrar da família Murdoch, mas a empresa estaria melhor com uma administração menos feudal. Os cargos de presidente e executivo-chefe deveriam ser separados e Rupert Murdoch deveria deixar a administração diária do grupo, defende o semanário.

Fonte: Observatório da Imprensa

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