Liderar começa pela forma de pensar

2 de outubro de 2026


No Bom Dia RH, José Vicente apresenta as lógicas de ação como um mapa para compreender diferentes perfis de liderança e transformar comportamentos nas organizações

 

Como cada líder interpreta a realidade, toma decisões e reage diante de desafios? A resposta, segundo José Vicente, passa pelas chamadas lógicas de ação, tema central da palestra “Liderança Integral – Como as lógicas de ação podem transformar o seu jeito de liderar”, apresentada no Bom Dia RH, promovido pela ABRH-PR nesta quarta-feira (30.09).

 

Fundador da Integral Works e da Brain Inteligência Estratégica, criador do Integral Leadership Program, na FAE, e autor do livro Liderança Integral: A Evolução do Ser Humano e das Organizações, José Vicente trabalha com o conceito há 25 anos em sua trajetória pessoal e há duas décadas no campo profissional. Para ele, a transformação das organizações começa pela transformação das pessoas. “A mudança organizacional só acontece através da transformação individual das pessoas”, destacou.

Sete caminhos

As lógicas de ação funcionam como uma espécie de mapa para compreender a maturidade da liderança e os padrões que orientam comportamentos. José Vicente apresentou sete perfis de líder: auto protetivo, diplomata, especialista, realizador, auto questionador, transformador e alquímico. “Todos podem estar presentes em uma mesma pessoa, em maior ou menor intensidade, e também podem ser observados coletivamente em equipes e organizações”, pontuou.

 

Cada uma dessas fases compreende tanto uma versão saudável, que mobiliza equipes e potencializa os resultados organizacionais, quanto uma versão tóxica, ativada em momentos de pressão extrema ou quando o profissional força um comportamento que ainda não foi devidamente assimilado por sua estrutura interna. “As lógicas de ação estão relacionadas à estrutura profunda do pensamento, ao como pensamos, e não apenas ao que pensamos”, explicou.

A escolha de um estilo de liderança, porém, não pode ser dissociada do contexto. Uma postura mais conservadora pode ser adequada em ambientes nos quais segurança e previsibilidade são prioritários, enquanto outras situações exigem inovação, autonomia ou capacidade de lidar com incertezas.

 

Do conhecimento à prática

Para o palestrante, conhecer uma técnica não significa necessariamente estar preparado para aplicá-la. Ele diferencia o desenvolvimento horizontal, relacionado à aquisição de novos conhecimentos e ferramentas, do desenvolvimento vertical, que envolve mudanças mais profundas na forma de pensar.

 

Quando uma nova postura entra em conflito com estruturas internas já consolidadas, podem surgir desconforto, resistência e até reações emocionais. É nesse ponto que aparecem os chamados “compromissos ocultos”, que mantêm determinados comportamentos mesmo quando a pessoa racionalmente deseja mudar.  “A mente racional pisa no acelerador e o lado emocional pisa no freio”, explicou, usando a imagem de um carro para mostrar como a intenção de mudar pode entrar em choque com padrões mais profundos.

 

O palestrante chama atenção ainda para a necessidade de superar a lógica do “ou”, certo ou errado, isto ou aquilo, e desenvolver a “sabedoria do E”, capaz de integrar diferentes perspectivas. Nesse estágio, autenticidade não significa agir sempre da mesma maneira, mas compreender o contexto e responder a ele de forma consciente.

 

Experimentar para transformar

A evolução das lógicas de ação exige autoconhecimento, prática e disposição para sair da zona de conforto. O primeiro passo é reconhecer os próprios padrões e identificar quais capacidades são necessárias para alcançar os objetivos desejados. A partir daí, situações reais de desafio, acompanhamento de RH, mentoria, coaching e programas de desenvolvimento podem ajudar a sustentar o processo.

 

José Vicente também recomenda a reflexão sistemática sobre as próprias experiências, inclusive por meio do journaling, para perceber não apenas o que se pensa, mas como se constrói o pensamento. “Não se trata apenas de mudar o comportamento, mas de compreender como estamos pensando”, afirmou. Para ele, desenvolver uma nova lógica de ação é um processo experimental, acompanhado de reflexão, até que a mudança deixe de ser apenas consciente e passe a fazer parte da maneira natural de liderar.

 

Boas-vindas

Na abertura do Bom Dia RH, Gilmar de Andrade, presidente da ABRH-PR, deu as boas-vindas aos participantes e agradeceu o apoio dos voluntários e das equipes envolvidas na realização do encontro. Ao destacar os 60 anos da ABRH, comemorados em agosto, ressaltou a importância do trabalho voluntário para a trajetória da entidade. E enfatizou que “a liderança integral é um desafio para as organizações”.

Representando o presidente do CIEE-PR, Eugênio Stefanelo, o gerente regional Robson Polo destacou a disponibilidade da instituição para apoiar programas de estágio e aprendizagem. “Nosso objetivo é preparar e capacitar esses jovens para que tenham o melhor desempenho possível nas empresas parceiras”, afirmou. Ao final, desejou aos participantes uma excelente palestra e um bom dia de aprendizado.

Vera Mattos, vice-presidente da ABRH-PR, apresentou algumas das novidades do 19º CONPARH, que acontecerá nos dias 28 e 29 de outubro, como palestras, painéis, duas minis arenas na Feira de Negócios e uma Sala de Experiência Imersiva, com 12 atividades práticas e interativas ao longo dos dois dias. Ainda informou que o Prêmio Ser Humano, que será realizado pela primeira vez dentro do CONPARH.

A diretora comercial da ABRH-PR, Lilian Schopping, falou um pouco mais da atuação da entidade, lembrando que os associados têm acesso a importante ecossistema de Recursos Humanos do Paraná.

Comunicação sob o olhar do RH

Durante o Bom Dia RH, a jornalista e professora Patrícia Giannini apresentou os resultados do estudo “Comunicação Interna sob o olhar do RH: como sete empresas com atuação no Paraná estruturam, desafiam e reinventam a comunicação”. Realizado em parceria com a ABRH-PR, o levantamento buscou preencher uma lacuna de dados sobre a comunicação interna conduzida pelas áreas de Recursos Humanos.

 

A pesquisa envolveu sete empresas de diferentes setores e 45 entrevistas presenciais e individuais com executivos, profissionais de RH e colaboradores. Entre os principais achados está a transformação da comunicação interna, que passa a assumir um caráter mais humanizado, baseado em acolhimento, escuta e reconhecimento. “O RH tem deixado de ser um mero repassador de informações para atuar como uma área de escuta ativa, diálogo e feedback”, destacou Patrícia.

“O grande desafio deixou de ser apenas como comunicar e passou a ser como gerar conexão”, sintetizou a pesquisadora. Como resultado do trabalho, foi criado o Guia Conecta, uma referência para ajudar as equipes a organizar canais e acompanhar a evolução da comunicação interna. O estudo completo, com mais de 40 páginas, está disponível aqui.

 

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