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Artigo: Conteúdo de notícias na Internet; ontem e hoje

2 de maio de 2011


Klaus Junginger / Subeditor do Portal IMPRENSAAlguém consegue imaginar a cobertura de fatos relevantes na internet sem usar recursos de vídeo, glossários, links para outras páginas internas ou externas, botões de social media, como os tweets, curtir etc?

Pois, saiba que em 1º de maio de 1994, por ocasião da morte de Ayrton Senna, a Internet, ausente nas residências do Brasil e tratada pelos veículos de comunicação como extensão do papel, era assim mesmo.

Em minha perspectiva, as principais mudanças ocorrem em esferas táticas da web.

Para ilustrar de que maneira notícias importantes eram tratadas quando chegada a hora de transpor as informações para os diretórios www, escolhi a morte de nosso querido atleta e a forma da reportagem publicada pelo Telegraph, jornal britânico que, em 1994 já perambulava pela web e entregava seu conteúdo aos poucos internautas que possuíam um modem 14,400 – quase mil vezes mais lento que uma conexão hoje considerada normal.
Também inclui sucintas informações sobre a matéria publicada pelo New York Times em 2 de maio, um dia depois do acidente.

O Telegraph

Com 5.413 caracteres, relativamente longa, considerando que não era paginada, a matéria do Telegraph era intitulada simplesmente “Ayrton Senna”. Esse título denota bem a dinâmica das buscas na web naquela época. Você se lembra de quando, em um campo de buscas do Cadê, no Yahoo ou Altavista – primeiros sites de pesquisa disponíveis na web do Brasi – digitava apenas uma palavra para encontrar o que buscava?

A imagem, exibida no artigo, não trazia elementos fundamentais, indispensáveis para descrever com precisão seu conteúdo. Refiro-me aos atributos “alt” e à tag “title”, o primeiro, usado por mecanismos de busca para identificar o assunto relacionado ao arquivo .jpg; o segundo, define o texto a ser exibido quando o internauta passa com o mouse por cima da imagem. Parte preocupação com mecanismo de busca, parte incremento da experiência do usuário.

O NYT

Se, atualmente, o NYT é uma dos jornais digitais de maior organização do conteúdo na web e exploração dos infinitos recursos do ambiente digital, em 2 de maio de 1994 , a história era outra.

Noticiada em 4.815 caracteres, e intitulada “Ayrton Senna Dies After Crash; Peerless Racing King Was 34”, a morte de Ayrton Senna no NYT também não traz um único link para outra página. Nem para uma galeria de fotos interna, para a homepage da seção de esportes, além de estar classificada na seção “obituário” do jornal.

Paralelo

Para traçar um paralelo entre a qualidade e quantidade de conteúdo de reportagens na web em 94 e atualmente, escolhi comparar as notícias sobre a morte de Senna com a publicada hoje de madrugada no site do jornal argentino El País. A reportagem trata da morte do poeta Ernesto Sabato.

Na URL do El Pais, cinco links externos (que conduzem o internauta para fora do domínio do veículo) completam as informações. Existe uma galeria de imagens, uma sessão de vídeo, três imagens estáticas e outra boa meia dúzia de links internos para assuntos relacionados.
Opções para partilhar a informação em redes e mídias sociais existem em abundância na página.

Se em, 94′ existisse a noção de valorização nas métricas da audiência digital, como tempo de permanência, profundidade da visita e taxa de rejeição, a nota para a qualidade comercial do conteúdo seria muito próxima a zero.
Fonte: portal Imprensa

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