Coragem para querer é a habilidade que pode diferenciar líderes na era da inteligência artificial

7 de outubro de 2026


A inteligência artificial já produz textos, analisa dados e sugere soluções em poucos segundos. Nesse cenário, o diferencial competitivo das organizações pode estar menos na tecnologia em si e mais na capacidade humana de interpretar contextos, fazer escolhas e assumir responsabilidades. 

Para Álvaro Fernando, escritor e um dos palestrantes mais inovadores do Brasil, com foco em protagonismo e desenvolvimento pessoal, o pensamento crítico permanece entre as competências mais relevantes para quem ocupa posições de liderança. 

“A habilidade de avaliar o que deve ser feito e, principalmente, o que não deve ser feito, está no centro das grandes decisões. Liderar significa analisar cenários, ponderar consequências e responder pelas escolhas realizadas”. Ao mesmo tempo, Álvaro Fernando chama a atenção para um aspecto frequentemente ignorado nas empresas, ou seja, o peso das emoções no processo decisório. “Primeiro decidimos emocionalmente. Depois usamos a razão para justificar a decisão”, observa. 

Em um ambiente em que IAs generativas conseguem comparar alternativas e construir argumentos com enorme eficiência, compreender a própria influência emocional passa a ser uma competência estratégica. “Só quem entende que decide com o coração, consegue usar a razão a favor das próprias escolhas”.

Coragem 

Embora o discurso corporativo valorize iniciativa e inovação, Álvaro Fernando acredita que a verdadeira coragem surge muito antes da execução. Ela aparece quando alguém reconhece, sem disfarces, aquilo que realmente deseja. “A maioria das pessoas imagina que a coragem vem depois do querer. Primeiro eu decido o que quero, depois encontro coragem para agir. Mas pode ser o contrário. A primeira coragem é admitir o que realmente se quer”. 

Em sua avaliação, assumir esse desejo implica aceitar riscos, críticas e a possibilidade do fracasso. Por isso, muitas pessoas preferem atribuir suas escolhas às circunstâncias, ao mercado ou às decisões da empresa. A coragem de querer representa exatamente esse momento. É a decisão de assumir a autoria da própria vida antes mesmo da ação. “Porque toda realização começa quando alguém tem a coragem de dizer: ‘é isso que eu quero’. O resto, agir, aprender e persistir, vem depois”.

Confiança  

Enquanto muitas organizações investem em tecnologias para aumentar produtividade e eficiência, criar relações de confiança continua trazendo os melhores resultados; porém, a conexão humana não pode ser tratada como um projeto corporativo. 

As conexões fazem parte da nossa natureza. Não é papel das empresas criar conexões entre pessoas. Cabe às organizações oferecer ambientes respeitosos e saudáveis, nos quais a confiança possa se desenvolver naturalmente. “Todos nós temos um desempenho superior quando podemos confiar em nossos companheiros, em nossos líderes e em nossos liderados. A partir daí, faz sentido falar em conexão entre pessoas. E, quando existe confiança entre elas, os resultados são fora de série”. 

Protagonismo

Criador da assinatura musical do iFood e autor de mais de 3 mil trilhas de grandes marcas, ele também questiona algumas interpretações sobre inovação e cultura organizacional. Para ele, incentivar o pensamento crítico não significa estimular uma “cultura do erro”, mas criar condições para que profissionais experimentem, aprendam e assumam responsabilidades. 

Ao lembrar sua experiência atendendo grandes anunciantes, Álvaro Fernando observa que a tecnologia tornou mais fácil testar diferentes alternativas, mas isso não significa celebrar o erro. “Na verdade, aprendemos muito mais quando acertamos do que quando erramos. Mas, é claro, só erra ou acerta quem faz”.

Empresas que realmente desenvolvem pensamento crítico são aquelas em que os líderes apoiam mudanças, aceitam riscos e incentivam o protagonismo. Os principais sinais de que uma empresa realmente incentiva o protagonismo aparecem quando os decisores têm “coragem de querer”, apoiam mudanças, correm riscos e assumem responsabilidades.

Diante das incertezas que cercam o futuro do trabalho, ele deixa um convite para líderes e profissionais de RH. “Precisamos abraçar o desconhecido. Aproveitem a oportunidade de viver esse novo mundo. Abandonem a armadilha da preparação eterna, a ilusão de que nunca estamos prontos e o culto ao “ainda falta”. Essa é a coragem de querer”. 

Mais informações no site da ABRH-PR e do CONPARH.

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