Gestão de riscos entra em pauta no IEP com foco em atuação conjunta e inovação tecnológica

9 de abril de 2026


“A gestão de riscos ganha protagonismo em um cenário cada vez mais marcado por eventos imprevisíveis e impactos urbanos complexos. Antecipar riscos é hoje uma exigência para cidades mais resilientes e seguras e para reforçar a importância do debate técnico e multidisciplinar”, disse o presidente do IEP, Eng. Eletricista Nelson Luiz Gomez, ao abrir o evento “Gestão de Riscos”.

O encontro, organizado pela Câmara Técnica de Cartografia, Geociências e Geotecnologias, reuniu especialistas para discutir soluções técnicas e estratégias preventivas e ocorreu nos dias 31 de março e 1º de abril, no Centro de Eventos da instituição.

O diretor técnico do IEP, Eng. Civil Luiz Henrique Felipe Olavo, atuou como moderador no primeiro dia do evento. E o Eng. Cartógrafo Luís Alberto Lopez Miguez, respondeu pela mediação das palestras no segundo dia.

Ciclo de palestras

No primeiro dia, a abertura do ciclo técnico contou com a palestra do Eng. Cartógrafo Luís Alberto Lopez Miguez, formado pela UFPR e com atuação em geoprocessamento ambiental na Secretaria do Meio Ambiente de Curitiba que abordou o papel das geotecnologias no mapeamento e na gestão de riscos. Em seguida, o Eng. Civil Vitor Pereira Faro, mestre em Geotécnica e doutor em Engenharia, que tratou da prevenção de deslizamentos de terra, destacando os desafios técnicos e a necessidade de integração de dados para antecipação de cenários críticos. Na sequência, o Eng. Civil Hudson Régis Oliveira, consultor da Transpetro, apresentou uma análise sobre o gerenciamento de riscos geotécnicos em oleodutos, com foco na complexidade operacional e nos fatores que impactam a segurança dessas estruturas.

No segundo dia, a programação teve início com a palestra do presidente do Simepar, Eng. Florestal Paulo de Tarso, que discutiu a aplicação da inteligência climática na gestão de riscos, enfatizando o uso de dados e tecnologias para previsão de eventos extremos. Na sequência, o técnico em segurança do trabalho e bombeiro civil Edilson Imbrunísio abordou a importância da comunicação em emergências, com destaque para o papel do radioamadorismo em situações de falha dos sistemas convencionais. Encerrando o ciclo de palestras, coronel Ivan Ricardo Fernandes, coordenador executivo da Defesa Civil do Estado, apresentou um panorama da gestão de riscos e desastres no Paraná, com ênfase na atuação integrada e no fortalecimento de políticas de prevenção.

Aplicação de dados espaciais

No primeiro dia do evento, o Eng. Cartógrafo Luís Alberto Lopez Miguez, destacou que as geotecnlogias essas ferramentas vêm se consolidando como estratégicas ao integrar coleta, análise e aplicação de dados espaciais. “Essas tecnologias vão além de mapas e imagens de satélite. Funcionam como uma cadeia integrada de observação, modelagem, alerta e resposta e são fundamentais no mapeamento de áreas vulneráveis”, afirmou.

O especialista acentuou ainda que não há uma solução única, mas sim a necessidade de integração entre diferentes fontes e tecnologias. “A pergunta não é qual ferramenta usar, mas como combinar fontes com diferentes velocidades e escalas”, pontuou. Para ele, a eficácia depende da articulação entre sistemas, equipes e protocolos: “Sem rotina, equipe e protocolo, a informação não vira decisão”.

Ferramentas de prevenção

“A prevenção de deslizamentos de terra exige leitura técnica apurada e integração de dados”, afirmou o Eng. Civil Vitor Pereira Faro. Segundo ele, a Engenharia já dispõe de ferramentas para antecipar riscos, desde que haja investimento adequado. “Nós temos capacidade técnica para antecipar cenários, emitir alertas e retirar pessoas de áreas de risco”, disse. Defendeu o avanço de abordagens probabilísticas e o uso integrado de dados para aumentar a precisão dos diagnósticos, salvar vidas e fazer uma gestão de risco muito mais eficiente.

Faro também destacou o papel da inteligência de dados e da integração entre diferentes fontes de informação, como mapas geológicos, modelos digitais de terreno e sistemas de monitoramento. “A tecnologia está disponível, mas precisa ser bem utilizada, desde a aquisição até a análise e apresentação dos dados”, disse. Para ele, a combinação de geotecnologia, inteligência artificial e atuação multidisciplinar permite ampliar a precisão dos diagnósticos. “Com esse conjunto, conseguimos antecipar cenários, salvar vidas e fazer uma gestão de risco muito mais eficiente”, concluiu.

Decisões operacionais

A gestão de riscos geotécnicos em oleodutos exige planejamento contínuo e monitoramento constante, explicou o Eng. Civil Hudson Régis Oliveira. “Essas estruturas estão expostas a diferentes contextos geológicos e interferências externas. Os oleodutos cruzam terrenos variados e interagem com a dinâmica superficial, o que amplia a complexidade da gestão de riscos”, afirmou.

Entre os principais desafios, estão os chamados georiscos, como deslizamentos e erosões. Segundo ele, o processo envolve identificação, avaliação e priorização dos riscos, com apoio de tecnologias de monitoramento. “O processo passa pela identificação, avaliação, classificação e priorização dos riscos, até chegar às medidas de mitigação”, disse. Ele também ressaltou a importância estratégica do sistema: “É uma operação contínua, essencial para a matriz energética do país”.

Inteligência climática

O presidente do IEP comentou na abertura do segundo dia dos trabalhos do evento, que a IA é um instrumento acessório que reduz o tempo da busca de informações. “No entanto, pode levar a um resultado catastrófico, pois a IA está fundamentada em banco de dados que possui tanto dados corretos com incorretos”.

A inteligência climática foi apontada como elemento central na antecipação de eventos extremos pelo Eng. Florestal Paulo de Tarso. “A inteligência climática consiste na aplicação estratégica de dados históricos, observacionais e preditivos, integrados à inteligência artificial, para antecipar riscos”, ressaltou.

Ele destacou a atuação contínua da instituição no monitoramento e emissão de alertas, além do uso de tecnologias como radares e supercomputação. Apesar dos avanços, alertou para a necessidade de formação técnica qualificada. “Há uma carência significativa de especialistas capazes de interpretar dados meteorológicos com profundidade”, disse. Para ele, a integração entre áreas é essencial: “Não basta prever; é preciso compreender o sistema como um todo para agir com eficiência”.

Comunicação radioamadora

A importância da comunicação alternativa em cenários críticos foi destaque na palestra do técnico em segurança do trabalho e bombeiro civil Edilson Imbrunísio. Com o tema voltado ao papel do radioamadorismo em emergências, ele ressaltou que esses operadores atuam como elo essencial quando sistemas convencionais entram em colapso. “O radioamador não substitui a estrutura oficial, mas, quando necessário, sustenta a comunicação, principalmente quando ela começa a falhar”, afirmou.

Casos práticos reforçam essa importância. No deslizamento da BR-376, em 2022, radioamadores atuaram ininterruptamente no envio de informações para a Defesa Civil, garantindo fluxo contínuo de dados. Já em buscas no Pico do Paraná, a comunicação eficiente foi decisiva em uma operação complexa com centenas de envolvidos. Para Imbrunísio, o radioamadorismo combina independência, resiliência e compromisso. “Ele não compete com a tecnologia moderna, ele a complementa. Mas, quando a infraestrutura falha e a normalidade se rompe, passa a ocupar um papel essencial: manter a comunicação viva e ativa”, concluiu.

Gestão de riscos

O coronel Ivan Ricardo Fernandes, coordenador executivo da Defesa Civil do Estado, destacou que a gestão de riscos no Paraná exige atuação integrada e foco em prevenção. “Temos mais de 12,5 mil ocorrências registradas, e todos os municípios já enfrentaram ao menos um desastre”, afirmou.

Para ele, o principal desafio é mudar a lógica de atuação. “Se a gente ficar apenas resolvendo problema, não vai faltar trabalho nunca. O grande desafio é atuar nas causas”, pontuou. Ele ressaltou avanços na estrutura estadual e no uso de dados para planejamento. “Estamos gerindo informações para agir de forma rápida, eficiente e organizada”, disse.

E concluiu, afirmando que “o caminho é investir cada vez mais em prevenção, atacando a origem dos problemas. A Defesa Civil somos todos nós. Nosso papel é integrar estruturas e promover ações coordenadas, seja na prevenção, na resposta ou na recuperação”. Nesse contexto, informou que Engenheiros, geólogos, meteorologistas e operadores de drone passaram a integrar o setor de inteligência, ampliando a capacidade de análise, mapeamento e resposta em situações críticas.

Assista ao evento na íntegra em:

Dia 1 – https://www.youtube.com/watch?v=zC-C3HAt5c4
Dia 2 – https://www.youtube.com/watch?v=OcatmbjDrNA

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