Comunicação em rede como estratégia central impulsiona método inovador contra arboviroses

12 de março de 2026


Em entrevista ao Report 360 – Um giro pelo mundo da comunicação, da Jovem Pan News – RIC Business, conduzido por Daniel Filla, o gerente de implementação da Wolbito do Brasil, Gabriel Sylvestre Ribeiro, detalhou como ciência e estratégia de comunicação caminham juntas no enfrentamento às arboviroses. O ponto de partida é o método Wolbachia, desenvolvido a partir de estudos iniciados em 2008, na Austrália, pelo World Mosquito Program. A técnica utiliza uma bactéria, a Wolbachia, naturalmente presente em insetos para impedir que o mosquito Aedes aegypti transmita vírus como dengue, zika e chikungunya. Ao liberar mosquitos no ambiente, a bactéria se perpetua nas gerações seguintes, reduzindo de forma sustentável a circulação das doenças.

 

Segundo Ribeiro, a aplicação do método começa muito antes da soltura dos insetos. São meses de engajamento comunitário, formação de agentes públicos e diálogo direto com a população. “A gente não faz nada sem a aprovação da população”, destacou. Ele reforçou que o êxito do método Wolbachia está diretamente ligado à forma como ele é apresentado às comunidades. “É informativo e transparente total. A gente abre todo o processo, a gente senta e conversa”, afirmou. A atuação ocorre em uma rede, alinhada às diretrizes do Ministério da Saúde, SUS, estados e municípios, combinando comunicação presencial, rádios comunitárias e canais digitais para enfrentar resistências e combater a desinformação.

 

Os resultados reforçam o impacto da estratégia. Hoje, o método já foi implementado em 11 cidades brasileiras e deve chegar a 17. “Já passamos por mais de 5 milhões de pessoas, somando todas as populações contempladas. E os níveis de aceitação são acima de 90%, 95%”, pontuou. A Austrália conseguiu reduzir 96% dos casos de dengue usando esse método; a Indonésia, a redução foi de 77%; na Colômbia, 97%; e, em Niterói (RJ), 89%, dado publicado recentemente pela equipe.

 

Atualmente, a liberação dos mosquitos está em andamento em Brasília, Valparaíso de Goiás, Luziânia, Joinville, Balneário Camboriú e Blumenau. A expectativa é alcançar 7 milhões de pessoas por semestre, de acordo com a capacidade de produção do Tecpar, a maior biofábrica de mosquitos, instalada em Curitiba.

 

“Mais do que mosquito, a gente está falando de gente”, disse. Em tempos de desinformação, comunicação é uma questão de vida ou morte”. E completa: “O maior legado é a formação de uma rede qualificada de comunicação em saúde, capaz de enfrentar a desinformação e consolidar a participação popular como eixo central de uma política pública inovadora de saúde”.

 

Entrevista completa em: https://www.youtube.com/watch?v=Xk4hKdZfU4w&list=PLcG3f5ay0rLb-FxDh_Eangb1yIZZ93Au5&index=1

 

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