Presidente Lula sanciona lei que amplia a licença paternidade

31 de março de 2026


A ampliação gradual da licença-paternidade no Brasil, aprovada pelo Senado e sancionada pelo presidente Lula, prevista para chegar a até 20 dias em 2029, revela uma mudança mais profunda do que aparenta. Para especialistas, a medida é um reflexo direto das transformações sociais em curso, e um indicativo de que empresas precisam rever, com urgência, sua cultura organizacional.

“O trabalho não muda porque o RH quer. Ele muda porque a sociedade mudou”, afirma Adeildo Nascimento, especialista em cultura organizacional e CEO da DHEO Consultoria. Segundo ele, a nova configuração da licença é consequência de um cenário em que papéis familiares estão sendo redesenhados, com maior participação masculina no cuidado dos filhos e crescente presença feminina no mercado de trabalho.

Famílias em transformação

Dados do IBGE apontam mudanças significativas na estrutura familiar brasileira, tais como, redução no número de filhos, aumento de divórcios e novos arranjos familiares. Para Nascimento, esses movimentos impactam diretamente a lógica do trabalho. “Nenhuma empresa opera fora do seu tempo histórico. Quando a sociedade muda, o ambiente corporativo precisa acompanhar”, explica.

O problema, segundo o especialista, é que muitas organizações ainda adotam uma postura reativa. “Quando a empresa espera a lei chegar para se adaptar, ela já está atrasada. A legislação sempre vem depois da transformação social”, diz.

RH protagonista e estratégico

Nesse contexto, o papel do RH ganha protagonismo estratégico. Inspirado nos conceitos de pensadores como Peter Drucker e Dave Ulrich, Nascimento defende um modelo de gestão “de fora para dentro”, capaz de interpretar tendências sociais antes que se tornem crises internas. “Se o planejamento estratégico olha para 2030, a gestão de pessoas precisa estar alinhada com o mundo que existirá lá, não com o de hoje”, afirma.

O especialista também alerta para um paradoxo crescente: culturas organizacionais muito rígidas tendem a perder relevância em um cenário cada vez mais dinâmico. “Cultura forte não é cultura engessada. É flexível e aquela que consegue se adaptar sem perder sua essência”, pontua.

Para líderes e empresários, Nascimento recomenda que observem mudanças nas famílias, nas gerações, no comportamento dos consumidores e no impacto da tecnologia deixou de ser diferencial, tornou-se condição de sobrevivência. “Isso não é ideologia. É estratégia”, resume.

Por fim, Nascimento acentua que a ampliação da licença-paternidade, portanto, funciona como um termômetro. Mais do que um direito, ela sinaliza o futuro do trabalho e desafia empresas a decidirem se querem apenas acompanhar o tempo ou liderar as mudanças.

Vídeo completo no link:  https://www.youtube.com/watch?v=kqHqZs5K17I

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