Pesquisa da ABRH-PR aponta distância entre formação acadêmica e demandas do mercado

9 de junho de 2026


Levantamento revela que empresas buscam profissionais com competências comportamentais e visão estratégica mais desenvolvidas

 A Diretoria de Educação da ABRH-PR apresentou a instituições de ensino, gestores de Recursos Humanos e profissionais de diferentes setores os resultados da pesquisa “Quando o mercado fala”. O levantamento identificou uma defasagem entre as demandas atuais das organizações e parte da formação acadêmica oferecida aos novos profissionais.

A pesquisa foi realizada no fim do ano passado com empresas associadas e não associadas à entidade, além de profissionais de diferentes áreas, reunindo percepções sobre as competências mais exigidas pelo mercado e as principais lacunas observadas na formação dos recém-formados.

Segundo Léia Cordeiro, diretora de Educação da ABRH-PR, o estudo reforça uma preocupação já antiga da entidade. “A pesquisa trouxe reflexões sobre os desafios da formação profissional diante das transformações aceleradas do mercado de trabalho. Nós percebemos, no dia a dia, uma defasagem entre o que o mercado precisa e aquilo que muitas vezes as instituições conseguem entregar. Essa é uma preocupação antiga da nossa diretoria, que motivou uma série de discussões e projetos”, afirmou.

Para o presidente da ABRH-PR, Gilmar de Andrade, o estudo também mostrou que o mercado busca profissionais com competências comportamentais mais desenvolvidas, como comunicação assertiva, resiliência, inteligência emocional, proatividade e pontualidade. Ele observou que “habilidades relacionais, como trabalho em equipe, escuta ativa e engajamento, além de competências estratégicas, como pensamento crítico, visão sistêmica e conexão com o negócio, aparecem entre as maiores lacunas identificadas nos recém-profissionais”.

 Desafios

O levantamento contou com 27 respondentes, sendo que 63% são associados da ABRH-PR e 81,5% possuem mais de 20 anos de atuação em Recursos Humanos. A maior participação veio de empresas do setor de serviços (29,6%), seguida pela indústria (22,2%) e educação (18,5%). Entre os participantes predominam gerentes (29,6%), empresários e proprietários (25,9%) e consultores (14,5%).

A maioria das organizações participantes está localizada em Curitiba e Região Metropolitana (66,7%), além de empresas com atuação nacional e modelo remoto (25,9%).

Entre os principais desafios apontados pelas organizações estão cultura e gestão da mudança (66,7%), saúde mental, bem-estar, liderança e desenvolvimento de soft skills (48,1%), atração de talentos (44,4%), fortalecimento do RH estratégico (33,3%) e transformação digital e futuro do trabalho (25,9%).

 Capacitação

Na área de desenvolvimento profissional, as modalidades híbrida e presencial lideram a preferência das empresas, ambas com 48,1%. Os horários mais procurados para capacitação são manhã e noite. Já os critérios mais valorizados em programas de aprendizagem são a aplicabilidade imediata do conteúdo (48,1%) e a qualidade do corpo docente (33,3%).

Para medir os impactos das capacitações, as organizações avaliam principalmente a melhoria de indicadores internos (44,4%), a aplicação prática do conhecimento no dia a dia de trabalho (37%) e o feedback dos colaboradores (25,9%). O levantamento ainda apontou que, para fortalecer sua atuação estratégica, o RH precisa investir em gestão de crises e comunicação, competências digitais e Inteligência Artificial, estratégia de negócios, inovação e liderança humanizada.

Texto: Básica Comunicações

Fotos: Leandro Provenci

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