Mudei, e agora? Conheça casos de quem saiu da redação e partiu para assessoria

15 de março de 2011


Izabela Vasconcelos

20, 15 e 12 anos. Esse foi o tempo que eles atuaram nas redações de jornais impressos e decidiram partir para o “outro lado do balcão”, a assessoria de imprensa. Maristela Mafei, diretora da Máquina da Notícia; Sérgio Pugliese, diretor da Approach; e Andrew Greenlees, vice-presidente da CDN, falam sobre a transição de uma área para a outra.

Maristela trabalhou na Folha de S. Paulo, revista Globo Rural, Rádio e TV Cultura, Rádio América e no Departamento de Pesquisas da Rede Globo. A jornalista decidiu criar uma assessoria quando notou uma grande abertura no mercado brasileiro.

Oportunidade
“O momento que o país vivia; com as privatizações e o novo Codigo de Defesa do Consumidor eu vi que surgiu um enorme campo de trabalho nas grandes corporações. Surgiram novas demandas no sentido de profissionalizar a relação das empresas com a imprensa e todos os seus públicos. O país exigia transparência, prestação de contas, postura pro-ativa e esse momento histórico, em meados da década de 90, permitiu a abertura de várias empresas do setor”.

Preconceito
Maristela confessa que tinha um certo preconceito com assessoria, mas que quebrou o tabu. “Eu mesmo tinha preconceito quando estava do ‘outro lado’. Via com naturalidade essa postura de ‘descrédito’ inicial vindo de alguns profissionais em específico, mas o nosso trabalho e determinação não deixou dúvidas sobre os desafios e o prazer de se trabalhar com a informação do ponto de vista das empresas”.

Qualidade de vida
A jornalista compara as duas áreas e diz que a qualidade de vida é sempre boa para quem faz o que gosta. “Eu sempre fiz e faço o que gosto, o que ‘brilha’ os olhos. Adorava redação e agora estar em uma agência de comunicação. Não faço distinção entre trabalho e “qualidade de vida”, para mim trabalhar no que gosto é a melhor qualidade de vida que posso ter.

Sérgio Pugliese, sócio da Approach, decidiu partir para assessoria após 15 anos no impresso, em veículos como Jornal do Brasil, O Dia e O Globo. Durante sua carreira nas redações, ganhou dois Prêmios Esso. O jornalista conheceu o trabalho de assessoria de perto enquanto namorava Beth Garcia, fundadora da Approach. “Eu via ela trabalhando em casa e recusando clientes porque tinha pouca estrutura. Aí eu disse ‘vou pedir demissão’. Já estava cheio da rotina de redação, apesar de gostar muito do pessoal de lá”.

Vontade de fazer a diferença
Além de querer mudar sua rotina, Pugliese notava muitos problemas nas assessorias e queria inovar. “Via releases ruins, problemas nas assessorias, que não eram especializadas em nada. Aqui na Approach cada gerente é especializado em sua área. A assessoria aqui é como uma redação, cada núcleo é especializado”, afirma.

“Vários amigos foram contra”
O jornalista conta que sofreu preconceito ao anunciar que deixaria a redação. “Vários amigos foram contra. Eu não tenho dúvida que foi a melhor decisão. E tive sangue frio pra aguentar as propostas que recebi depois”.

“Trabalho na mesma intensidade ou até mais”
Para quem pensa que assessoria é vida mansa, Pugliese alerta que não. “Eu trabalho na mesma intensidade ou até mais. Também trabalho em final de semana. Tem escala, é mais flexível, mas têm as cobranças dos clientes, que é como se fossem os editores do jornal. Aqui eu trabalho com gestão de crise, então não tem horário pra ser chamado. Porém, a flexibilidade é maior que na redação”.

Andrew Greenless foi editor de política e correspondente da Folha de S. Paulo, em Washington (Estados Unidos). Trabalhou em assessoria de comunicação na Câmara dos Deputados e na Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo. Atualmente, também é diretor de Assuntos Institucionais da Associação Brasileira das Agências de Comunicação (Abracom).

Experiência da redação na assessoria
O jornalista sempre teve vontade de trabalhar na área e começou na comunicação política. “Saí da Redação em 1996 e fui trabalhar em comunicação política, porque eu cobri essa área por 12 anos. Depois fui para comunicação corporativa. Fui para a CDN para montar uma área de política, mas acabei lidando mais com a comunicação corporativa, a comunicação geral”, conta.

Para ele, jornalistas e assessores já sabem se relacionar e derrubaram o preconceito. “Hoje as redações conhecem melhor o trabalho de comunicação corporativa. Existem bons profissionais, que sabem como se relacionar com a imprensa e como tratar de temas sensíveis. Eu nunca senti preconceito. Acho que os dois lados aprenderam a se relacionar”.

Dinheiro fácil é mito
Greenless também alerta os que esperam trabalhar menos e ganhar muito mais na comunicação corporativa. “Essa história de que em comunicação corporativa é trabalhar pouco e ficar rico é mito. As duas áreas têm seus momentos difíceis, de pressão. Quem pensar que é trabalhar pouco e ganhar muito vai se frustrar”, conclui.

Fonte: site Comunique-se

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