Migração de roubos de bancos para estradas leva empresas a recorrer aos serviços de escolta armada

28 de julho de 2010


A migração do roubo de agências bancárias para os roubos de cargas tem entre seus fatores determinantes os fortes investimentos em segurança eletrônica efetuados por bancos e diversas entidades relacionadas ao segmento, somados ao serviço de inteligência das polícias que investigam e atuam contra a ação de quadrilhas especializadas. Sem contar que se trata de um setor que movimenta atualmente pelo País mais de R$ 40 bilhões em mercadorias, o que aguça o interesse dos contraventores das rodovias.

Segundo Marcus Guidio, diretor executivo do Grupo Lynx e diretor de Escolta Armada do Sindicato das Empresas de Segurança Privada do Paraná, 81% dos roubos de cargas registrados no Brasil acontecem no Sudeste, um prejuízo que chega a R$ 660 milhões por ano somente nesta região. “A região Sul aparece em segundo lugar, com mais de mil casos e prejuízo de R$ 102,5 milhões. O Paraná está se tornando um alvo em potencial, por fazer parte da rota Norte-Sul, que passa pelas BRs 116 e 101”. Anualmente, o prejuízo vai além de R$ 1 bilhão, já que muitos dos casos não são notificados. Esses danos são inicialmente arcados pelas empresas e seguradoras, para, em seguida, serem repassados aos consumidores.

No entanto, de acordo com Guidio, é possível que empresas se resguardem contra este tipo de roubo, investindo em segurança segundo alguns parâmetros. “É imprescindível contratar o seguro, que pode estabelecer algumas exigências conforme o tipo de mercadoria, valor da carga e o itinerário”, explica.

Entre as exigências das seguradoras para efetuar a apólice da carga estão, em ordem crescente: que a carga seja transportada por frota própria (por um funcionário registrado, com treinamento e que conheça a fundo a rotina da empresa); que a carga seja transportada por caminhão rastreado; ou, ainda, que seja contratado um serviço de escolta armada, em situações onde a carga possua um valor muito alto, quando nem o veículo próprio ou o rastreamento sejam entendidos pela seguradora como suficientes.

Ele lembra que, há anos, as empresas de logística e transporte investem milhões em tecnologia aplicada à frota, com uso de sensores, travas, alarmes, sirenes e uma série de dispositivos que permitem o monitoramento on-line do veículo. “Mesmo assim, a segurança desenvolvida pela empresa de escolta armada é indispensável em muitos casos, pois se trata de um serviço ininterrupto, prestado por agentes especialmente treinados e habilitados pela Polícia Federal para minimizar o risco das ações criminosas e combatê-las quando necessário”.

Ações criminosas priorizam cargas de venda fácil

Entre as cargas mais procuradas pelos ladrões das estradas estão aquelas com alta liquidez e difícil rastreabilidade, ou seja, produtos que podem ser vendidos rapidamente, como remédios, alimentos, têxteis, pneus, combustíveis, produtos metalúrgicos e químicos, cigarros, equipamentos eletrônicos e de informática, cobre e aparelhos celulares.

As abordagens mais freqüentes nas rodovias acontecem com a interceptação do veículo em movimento; durante carona a uma pessoa que age em parceria com os bandidos; a abordagem ao motorista em seu descanso ou alimentação e, por fim, quando o motorista está envolvido com os criminosos e simula um assalto. Em todas estas situações, o serviço de escolta armada inibe a ação criminosa e representa uma ferramenta extremamente eficiente, visando a entrega da carga no tempo e local planejado com a segurança necessária. “As empresas de escolta armada não podem atuar apenas como fornecedores de mão de obra. É indispensável que tenha impregnada em suas rotinas a atividade do gerenciamento de risco, que contempla o planejamento e execução de cada missão, dia a dia, na busca pela redução da exposição ao risco”, finaliza Guidio.

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