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“Medo de falar com a imprensa é o pior inimigo de uma empresa”, diz Antonio Carlos Salles

29 de março de 2011


Por Luiz Gustavo Pacete/Redação Revista IMPRENSAA relação entre empresas e governo muitas vezes gera medo e receio por parte dos executivos, principalmente quando é acompanhada de perto pela imprensa. Muitos fogem da mídia, outros são cuidadosos ao extremo. Para o jornalista Antonio Carlos Salles, diretor de relações institucionais da estadunidense Covidien, o medo de falar com a imprensa é o pior inimigo de uma empresa.

Salles falou ao Portal IMPRENSA sobre a exposição de empresas, a polêmica em torno das doações a políticos e como as corporações devem se relacionar com os jornalistas. Salles atuou na área de relações governamentais de empresas como Novartis e Bristol-Myers, trabalhou na Folha de S. Paulo e na rádio Jovem Pan.

IMPRENSA – Ter atuado em redações e empresas de outros setores favorece seu trabalho?
Antonio Carlos Salles – O interessante é considerar que quando você está na redação tem que dar conta de uma dinâmica de prazos quase nunca compreendida pelos executivos. Mas estando do outro lado eu consigo ver que a demanda do jornalista deve ser atendida pontualmente, principalmente em momentos de crise.

IMPRENSA – Os executivos brasileiros estão preparados para falar com a imprensa?
Salles – Hoje, quando uma empresa contrata um executivo, ela já tem em mente que entre as diversas atribuições deste profissional está o relacionamento com a imprensa. Principalmente quando você tem uma crise e deve evitar a frase: “procurada, a empresa não se pronunciou a respeito”.

IMPRENSA – Como a empresa se prepara para uma crise?
Salles – A área de saúde, onde atuo, é extremamente volátil, e uma estratégia mal feita pode gerar uma onda de consequências graves para a companhia. É importante ter um plano para saber quando falar e quando não falar.

IMPRENSA – Quando falar e quando não falar?
Salles – É uma decisão que está relacionada à certeza e ao número de informações de que a empresa se abastece para vir a público. Se a empresa não estiver bem subsidiada, a imprensa e o cidadão vão desconfiar.

IMPRENSA – Quão exposta fica uma empresa que faz doações a políticos? Sua empresa faz doação para campanhas?
Salles – Nossa empresa não faz nenhum tipo de doação. Mas eu encaro isso como algo simples. Se sua empresa tem muito bem definido o código de conduta, não há motivo para ter medo. Não é porque eu não faço doação que vou fugir de quem vir falar comigo.

IMPRENSA – A imprensa compra o discurso das empresas em relação à sustentabilidade?
Salles – A imprensa já comprou mais esse discurso. Mas a questão social dever ser vista com cuidado. Um release bonito, um relatório em um CD com uma capa bem produzida não quer dizer nada. Há muitas empresas que dizem que fazem muito, mas seu trabalhador está oito horas debaixo de sol passando a base de água e café.

 

Fonte: portal Imprensa

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