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Cobertura do Seminário Design de Resultados

1 de julho de 2011


 

A Brainbox Design Estratégico promoveu no dia 30 de junho, em parceria com a revista EmbalagemMarca, o Seminário Design de Resultados, na PUC-PR, em Curitiba.

O encontro foi iniciado com uma palestra ministrada pelo designer Lincoln Seragini, presidente da Seragini Farné Guardado Design, um dos pioneiros do design de embalagens no Brasil e que há 43 anos frisa a importância do design como ferramenta propulsora de negócios.

Seragini abordou o papel do design de resultados na era da economia criativa, conceito difundido fora do Brasil e que chega no País com 17 anos de atraso. “Economia criativa diz respeito à criação de riqueza a partir do talento individual, que gera valores como direito autoral, patentes e marcas registradas, ou seja, o capital intelectual”, disse. “A criatividade é uma competência inerente ao ser humano, mas o entendimento desta nova classificação permitirá o futuro desenvolvimento de políticas públicas que ensinem a gestão da economia criativa, gerando uma revolução intelectual e nas relações profissionais”.

O designer foi enfático ao afirmar que a criação do futuro depende de novas ideias, de inovação e que o século XXI é a era do design. “Aos poucos os empresários começam a perceber a necessidade da cultura de inovação através da colaboração criativa, realizada não mais por consultores ou pelo departamento der marketing, e sim por designers”.

Segundo ele, o mundo passa pela era da inovação e é imprescindível que as empresas busquem o fortalecimento da marca usando o conhecimento profissional. “Inovação significa o processo de criar ideias de valor e implementá-las com sucesso”, comentou. “Não podemos deixar que limitações físicas destruam os objetivos e metas de liderança. Quem vê limite não constrói futuro”, finalizou.

Em seguida, o Seminário deu início a um bate papo com o diretor associado de criação da Brainbox Design Estratégico, Marcos Minini e com o CEO da Sart Dreamaker, Gian Franco Rocchiccioli, sobre a participação do design nacional em Cannes Lions 2011. Segundo a dupla, que fez parte da primeira missão empresarial do design brasileiro no Festival, foi visível a presença maciça de empresas no evento, não mais somente de agências. “Isso confirma a importância da criatividade e que aos poucos o papel do design dentro das corporações vem adquirindo novo peso”, disse Minini. “Com isso, pretendemos que o design passe a ser visto como um investimento focado em vendas e não como um simples custo inserido em um amplo processo”.

A palestra seguinte foi ministrada pela gerente de marca do Boticário, Marcella Nogueira, que falou sobre a trajetória da marca Nativa SPA dentro da companhia.

De acordo com ela, tudo que a indústria adiciona de custo ao produto deve ser percebido pelo consumidor como adicional de valor, de forma que ele compre a ideia e, consequentemente, o produto. “A indústria cosmética é a que mais dá espaço ao design, uma vez que a embalagem faz parte do sonho, do cuidado e da beleza”, falou. “Nosso grande desafio foi, com o uso do design, criar um conceito que unificasse as linhas da marca Nativa SPA em apenas uma, seguindo a mesma marca e padrão visual”.

Atualmente a linha – denominada SPA em virtude do conceito salute per aqua, em latim saúde pela água – é segmentada de acordo com o trinômio cheiro, cor e ingrediente.

“Efetuamos os maiores investimentos em comunicação a partir de 2010 e registramos com isso um crescimento de 127% acima da média estipulada em volume. Em cinco anos, a Nativa SPA se tornou a número um do portfólio do Boticário e neste ano está se transformando em uma loja própria, levando ao consumidor uma experiência de marca”, explicou.

O diretor de design da Eastman, Gaylon White, apresentou em seguida o Hydropac, produto que transforma a água poluída em potável com a utilização de uma moderna tecnologia de osmose, que não requer energia elétrica e é direcionada principalmente ao uso em situações de desastre. De acordo com ele, o propósito inicial era levar o Hydropac para o uso de soldados americanos em locais de guerra. No entanto, o cunho social do produto levou à aplicação e testes em regiões de guerra civil, como Ruanda, e lugares de seca absoluta, como o Quênia.

“Muitas vezes falta infraestrutura para levar água engarrafada a estas localidades, por isso a importância do nosso produto e o papel social que ele desempenha junto à sociedade moderna”, frisou.

White comentou que agora o produto passa por pesquisas para tornar a sua linguagem universal e compreensível em todo o globo. “Em comunidades bastante isoladas percebemos que os símbolos que utilizamos não são captados, daí a necessidade de focar o estudo de referências que possam ser percebidas por qualquer indivíduo, de forma que todos entendam as instruções e consigam manuseá-lo”.

O Seminário foi encerrado pelo designer Ravi Sawhney, fundador e CEO da RKS design e autor do livro Predictable Magic – Unleash the Power of Design Strategy to Transform your Business. Sawhney abordou a importância do planejamento de processos e do uso do design como ferramenta estratégica para geração de negócios, bem como a evolução do design e de seu papel ao longo dos anos.

“Antigamente o design tinha como função única criar beleza, hoje tem responsabilidade para desenvolver o futuro para todos”, falou. Criador da estratégica de design batizada de psicoestética, Sawhney explicou seu método, que consiste em elaborar um panorama da concorrência e mapeamentos das personas dos consumidores. “Com isso definido, inserimos no processo os agentes criativos, designers, executivos, gerentes e diretores em um ponto chamado de jornadas dos heróis”, explicou. “Isso facilita a equipe a entender e a conectar-se com seu público, entendendo seus anseios, e o rumo a uma situação competitiva”.

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